SHEIK E OS CAÇADORES DO BAÚ VERMELHO
A sorte estava lançada e o Sheik chegara à conclusão que não dava mais pra ficar parado esperando a banda passar, e nem ficar batendo palmas pra maluco dançar!
Ele até queria usar uma frase como slogan: “quem sabe faz a hora”, mas o Vandré (pra quem é muito novinho e nunca ouviu falar, ele é um compositor que foi exilado, teve sua música proibida pela censura, e sofreu pra caramba na época da repressão política que teve inicio com a revolução de março de sessenta e quatro), tinha chegado primeiro e já tinha tomado conta da idéia, não ia pegar bem ele usá-la, além de que poderia ser acusado de plágio!
Mas um slogan não ganha batalha, no muito pode ganhar alguns consumidores segundo os experts em comunicação!
Ele precisava resolver o mistério da curva reta e da paralela dos anzóis a qualquer custo (tomara que não fosse muito caro)!
Era preciso encontrar o Baú Vermelho!
Pensou até em pedir algumas dicas para o Silvio Santos (o homem do baú), mas depois achou que seria besteira, pois é claro que “Peru que fala!” (é como o homem do baú era chamado anos atrás) não lhe ensinaria o pulo do gato! (sente o drama, o segredo do pulo do gato nas mãos de um peru)!
As pistas não eram muitas, o Sheik sabia que o tal baú estava em um lugar qualquer da sua imaginação, trancado a sete chaves, com sete cadeados, além ou aquém dos sete mares, a sete palmos ou não das pirâmides de acrílico, e que era preciso pular sete ondas, em sete dias seguidos de lua cheia na maré baixa, exatamente às sete horas da noite!
Não que tudo aquilo realmente fosse necessário, mas é que dava assim um certo charme, e um quê de misterioso na narrativa!
Sabedor de que os cães labradores são ótimos farejadores, o Sheik pensou em pedir ajuda a Mel, a cachorrinha da Lívia, que era prima da Aline a menininha mimadinha que era sua dona, e ao Hugger que morava lá na casa do Vô Sem Parafuso, onde morava também a tia Valéria, que era a esposa do Vô (a Jéssica, que era a neta mais velha do vô, não entendia porque o vô era vô, e a tia Valéria era tia), e vovó da Maria Fernanda, que não era neta de verdade do Vô Sem Parafuso mas, era como se fosse, pois ele gostava dela tanto quanto a tia Valéria gostava da Lívia, da Aline e de todos os netos dele.
Mas, deixando essa confusão familiar de lado, vamos ao que interessa, voltemos à caça do Baú Vermelho trancado a sete chaves, com sete cadeados, além ou aquém dos sete mares, a sete palmos ou não das pirâmides de acrílico, que estaria em um lugar qualquer da imaginação!
O Sheik estava eufórico, ele adorava uma aventura (já pensou se o Vagabundo o cão rasga-sacos pudesse vê-lo agora!).
E os três, o Sheik, a Mel, e o Hugger, começaram a traçar os planos. A presença da Mel dava assim um certo charme afinal a presença feminina era marcante em todos os filmes do gênero, e o Sheik não sabia se sentia um Robert Langdon, o simbologista do Código da Vince, Anjos e Demônios, ou um Indiana Jones em Caçadores da Arca Perdida, mas era tudo muito legal!
O Baú Vermelho havia sido concebido por uma “lunática” integrante da Ordem dos Humanóides Lunáticos do Templo da Imaginação, eles eram assim meio esquisitos, moravam em castelos de areia e cavalgavam cavalos marinhos!
Muitas pessoas achavam que eles não falavam coisa-com-coisa!
O segredo do sucesso dos “lunáticos” estava nos portais que mantinham viva a teimosia de divulgar e praticar a literatura! Neles poderiam ser encontradas as mais variadas expressões artísticas que usava a palavra como matéria prima!
No Mural do portal a liberdade era total, desde que, é claro se respeitasse o espaço e a opinião alheia, e as normas básicas do bom senso, e para isso bastava agir de forma correta e coerente!
Lá todos eram iguais, não havia estrelas isoladas, todos formavam uma grande constelação!
O Vô Sem Parafuso também fazia parte da Ordem, ele era um “lunático” de carteirinha!
E assim, lá se foram os nossos heróis em busca do Baú Vermelho, o que havia dentro dele interessava somente ao Sheik, era apenas um nome, ou o baú poderia estar vazio, nunca se sabe?
Mas, como ele pode estar em qualquer lugar da imaginação, você também pode começar a procurar.
Ah! Se encontrar por favor, me avise!
O Sheik agradece!
PS: se a “lunática” resolvesse contar o segredo, poupava a viagem do Sheik, quem sabe né?
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