SHEIK E A CAÇADA FRUSTRADA
O Sheik sabia que uma lunática havia descoberto outro segredo seu, (o primeiro, o fato dele não ser tão corajoso quanto parecia, foi revelado a todos pelo dedo-duro do Vô Sem Parafuso) e ela havia concluído que ele também era um membro da Ordem dos Humanóides Lunáticos do Templo da Imaginação.
- Mas como , cê tá lôco? Ele não era humano!
- As aparências enganam, nem tudo o que parece é, e às vezes o que é nem parece, não se deve crer em tudo o que se vê, pois quanto mais a gente olha, menos enxerga!
- Pô, isso tá parecendo papo daquele japa, o Senhor Miag, o mestre do karatê!
- Ih! Vai ver que é por isso que uma outra lunática chamou o Sheik de Mestre, acho que ela sacou alguma coisa!
- É como dizia a letra de uma música bem antiga do tempo do Pai Voador do Vô Sem Parafuso: “nem tudo que reluz é ouro, nem tudo que balança cai!”
O Sheik viajou pelos caminhos da sua alma.
Precisava conversar com os seus próprios pensamentos!
Agora não tinha mais retorno, o fato dele ser um lunático havia sido divulgado, tá certo que como ele não era bobo nem nada, quando escrevia alguma coisa assinava como Vô Sem Parafuso, eles na verdade, nem sabiam quem havia escrito o que!
- Como é que é?
- Você tá falando que o Sheik poderia ser o Vô Sem Parafuso, e ele, o Vô, poderia ser o Sheik?
- Claro porque não! Um enigma sempre fica bem em qualquer história (os roteiristas chamam isso de ”criar um clímax”!).
- Sei não! Isso tá parecendo é papo de maluco mesmo!
- E como ficam a Aline, a Lívia, a Mel, a mamãe da menininha mimadinha, a Maria Fernanda, a Sil, o Hugger e o resto da turma?
Você não acha que a história perdeu o rumo e que a criançada não vai entender mais nada?
- Acontece o seguinte, você, assim como os adultos pensa que criança é boba, e não acordou ainda para o fato de que elas são capazes de entender tudo, elas têm a força da imaginação, e a proteção de um colete de segurança, também conhecido como anjo da guarda que as protegem das balas perdidas da realidade inútil! ] - Além dos Lunáticos da Ordem, quem mais você acha que acreditaria nessas histórias a não ser a criançada?
Os lunáticos na maioria das vezes, podemos dizer que psicografam as fantasias das crianças que ainda existem dentro deles!
E criança com criança, se entende!
- As palavras são poderosas, mas elas estão todas ali, silenciosasestética e rigorosamente enfileiradas na solidão da ordem alfabética no grosso volume do livro de capa dura!
Elas se mantêm sepultadas na inércia dos seus significados até que alguém resolva mudar-lhes o destino.
Elas formam um verdadeiro exército preparado para entrar em ação a qualquer momento, no entanto, enquanto ninguém se habilitar a utilizá-las elas serão apenas palavras que recheiam um dicionário!
- É por isso que as crianças devem ser incentivadas a ler mais, a conhecer as palavras, é lendo que se aprende a escrever, a expressar seus sentimentos e opiniões!
- As palavras podem alterar a rota do destino e permitir enxergar a partir de outro ponto de vista, nos fazendo muitas vezes “olhar com os olhos da alma”!
O Sheik saiu das suas divagações (o Jorge Cortás havia falado sobre elas em um comentário) e os seus olhos brilhavam de uma forma diferente, parecia que ele havia descoberto alguma coisa!
Correu para o computador e começou a ler os comentários da Silvia e da Rosana sobre a postagem de SHEIK A NOVA CAÇADA!
É isso, aquele era o caminho!
Teclou para o Vô Sem Parafuso e lhe passou as instruções!
O Vô Sem Parafuso, pra dizer a verdade não se surpreendeu nenhum um pouco com a conclusão do Sheik, e começou a digitar:
- Avisos aos navegantes, o Sheik manda avisar que já decifrou o enigma do baú cor de madeira velha, com as dobradiças enferrujadas pela maresia, e por isso a caçada ao baú fica cancelada em caráter definitivo.
- O Hugger, a Mel, e até mesmo a Zenóbia e o Dominique, que haviam manifestado o desejo de ajudá-los nesta empreitada, podem se considerar liberados da missão, e nem é preciso engolir, queimar ou destruir esta mensagem!
- O Sheik também mandava dizer à Zenóbia que não havia se melindrado com o fato dela dizer Este Sheik não tem faro?
É claro que não, ele não tinha nem faro e nem petróleo, e farejar era um atributo da Mel e do Hugger, não era a sua praia, ele era só um cachorrinho tapete sem maiores pretensões!
O Sheik também, não era marinheiro de primeira viagem e era esperto o suficiente, para admitir a superioridade feminina no que tange a assuntos que singram os mares da emoção e dos sentimentos.
Tanto sabia disso, que havia convocado a Mel para acompanhá-los, ele sabia que as fêmeas são tão inteligentes e espertas que se dão ao luxo de deixar que os machos pensem que são melhores do que elas, e tem alguns que acreditam!
Ele sabia que no baú não haveria ossos de dinossauro, tesouros fabulosos e nem mesmo a moeda número um do Tio Patinhas!
Sabia também que apenas uma única pessoa poderia chegar ao baú quando bem entendesse pois ao contrário do Baú Vermelho que se encontrava em um lugar qualquer da imaginação, o baú cor de madeira velha, com dobradiças enferrujadas pela maresia, segundo a sua dona era uma charada, (o Sheik conhecia muito bem aquela história de decifra-me ou te devoro!, e nem lhe passava pela idéia a possibilidade de ser devorado!) e estava no subterrâneo das suas memórias.
Ai estava a solução do enigma:
memória e coração dos outros, é terra em que ninguém pisa!
Restava agora talvez, retornar a Caçada ao Baú Vermelho!
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