REAPERTANDO OS PARAFUSOS
O Vô Sem Parafuso havia chegado a conclusão de que “era preciso dar um tempo”, ele estava com a adrenalina a mil mas o tico e o teco, de vez em quando estavam dando mancadas, ele chegara ao cúmulo de trocar o nome das pessoas, o que é um engano imperdoável, e não era de uma pessoa qualquer!
Ele havia trocado justamente o nome da lunática! Tremenda mancada!
Na verdade ele precisava era fazer um checkup, mas ele mesmo dizia que levar carro velho na oficina é fogo! Sempre tem alguma coisa pra arrumar.
Depois ele já estava com o prazo de garantia vencido, e não demorava muito ia vencer também o prazo de validade! Às vezes o tempo de jogo termina e tem a prorrogação, e tem muita gente que já está nos pênaltis.
Era preciso dar um reaperto nos parafusos que restavam (se é que ainda restava algum!).
Mas tirando estes pequenos deslizes ele se sentia perfeitamente bem, ainda mais em se tratando de uma pessoa que tinha amenos parafusos a menos! (ele não perdia a oportunidade de fazer uma piadinha!).
O parafuso podia até faltar, mas de forma alguma fazia falta.
Ele achava que o melhor remédio, sempre, é colocar a mente pra funcionar e isso ele fazia como poucos. A sua atividade mental era bastante intensa afinal ele nunca parava de pensar, nem dormindo!
Pensar e escrever! Ele tinha uma necessidade orgânica de criar. Por onde ele estava sempre havia papel e caneta por perto. Ele não suportava o fato de ter uma idéia e não ter como registrá-la, afinal se ele não anotasse na hora, mais tarde poderia faltar algum detalhe (e ele já estava trocando nomes!).
Às vezes ele estava dirigindo e pintava uma idéia, ele ficava repetindo mentalmente e muitas vezes em voz alta mesmo, até achar um local para estacionar e passar tudo para o papel.
Como hoje em dia a maioria das pessoas vive plugada em um fone de ouvido, ninguém repara mais quando alguém fica falando sozinho!
Antigamente quem falava sozinho era taxado de lelé!
Na verdade escrever era a ocupação terapêutica do Vô Sem Parafuso e a Lívia, uma outra lunática, chegara a dizer que a cabeça dele parecia um grande cupinzeiro de idéias. Mas na verdade na verdade eu vos digo, era preciso dar um tempo e reapertar os parafusos!
antonio carlos de paula poeta e compositor www.antoniocarlosdepaula.com
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