SHEIK E O MISTÉRIO DA PLUMA
O Sheik recebeu com surpresa o email do Vô Sem Parafuso com a notificação do recrutamento da FORÇA S7 pelo Alto Comando do SIISMA (Serviço Internacional de Inteligência para Solução de Mistérios Aleatórios).
Não dava para responder de imediato, ele precisava consultar as bases, quer dizer, era preciso saber a opinião de toda a equipe, e afinal, nunca é demais lembrar que eles tinham um compromisso com os seus donos.
Era muito emocionante desvendar mistérios mas eles não podiam esquecer, de que na realidade eram apenas animais de estimação e que seus donos precisavam muito deles. Era inegável que cada um representava um papel muito mais importante do que o status que qualquer grande aventura pudesse lhes proporcionar.
Em muitos casos eles serviam de verdadeiros terapeutas, participavam das tristezas e alegrias da família, era com eles que seus donos desabafavam suas dores e partilhavam suas emoções, e muitas das vezes, lhes abriam os corações!
Depois eles (quer dizer especialmente o Sheik) ainda tinham um mistério a ser solucionado pois não haviam ainda decifrando o segredo do Baú Vermelho!
A caçada havia sido suspensa mas já era hora de retornarem ao caso.
O Sheik sabia que a lunática havia passado algumas coordenadas para o Vô Sem Parafuso que no entanto havia achado melhor, não se sabe porque, não as revelarEle só havia recomendado ao Sheik para ler os textos da lunática.
E assim ele resolveu mergulhar de cabeça na leitura da produção literária da lunática, ele sabia muito bem que nem tudo o que poetas escrevem é a pura realidade, mas a recíproca também é verdadeira e nem tudo é só fantasia!
É preciso captar as mensagens subentendidas nos textos e decifrar os códigos nas entrelinhas!
Os poetas com a mesma mestria falam de sentimentos sublimes e verdadeiros, ou de paixões devastadoras que nunca existiram ou que eles nunca viveram!
E foi assim, entre um poema e outro que o Sheik quase sem perceber, pescando uma palavra aqui, juntando um pensamento ali, concluiu que a lunática era uma pessoa que tinha a sensibilidade a flor da pele!
Seus textos eram revestidos de uma contundente ternura que traziam em si o arco-íris da dura realidade!
E no fundo do mar das emoções ele finalmente encontrou o Baú Vermelho!
Faltava agora abri-lo e ele sabia que a tarefa não seria fácil afinal não se chega simplesmente a um baú perdido em algum lugar da imaginação, trancado a sete chaves, com sete cadeados, além ou aquém dos sete mares, a sete palmos ou não das pirâmides de acrílico, e vai se metendo o pé na tranca!
Na tampa do Baú Vermelho havia uma inscrição em alto relevo GALATAC!
Era preciso muito cuidado e por isso o Sheik começou a pensar..., pensar..., ele tinha certeza de que aquela inscrição era a senha, o código que abriria o Baú Vermelho, e é claro que ela naturalmente estaria ligada aos textos da lunática!
Aos poucos as idéias foram clareando e uma a uma o Sheik foi descobrindo cada uma das chaves dos cadeados que guardavam o intrigante segredo: Gratidão, Amizade, Lealdade, Atenção,Ternura, Amor,Carinho! GALATAC!
Apesar de todo o seu autocontrole (aprendido com o monge do Tibét) o Sheik não conseguia esconder a ansiedade! As dobradiças do Baú Vermelho rangeram quando a tampa foi forçada, finalmente o Baú Vermelho estava aberto e dentro dele lá estava o segredo!
O Sheik apanhou com muito cuidado aquela pequena pluma muito branca que parecia ter sido feita com um pedaço de nuvem! O mistério ainda não havia chegado ao fim!
Ele havia tentado solucionar o mistério, mas acabara dando de cara com outro misterioso segredo!
Era preciso voltar a pensar, e ele ficou ali olhando para a pluma branca, curioso e até um tanto quanto desapontado!
De repente ele lembrou-se de que nenhum homem é uma ilha, mesmo que seja um cachorro!
Havia um integrante da FORÇA S7, que fatalmente saberia dizer o que significava aquela pluma, afinal, a FIA era uma ave!
Além de ave, havia mais um detalhe de suma importância a FIA não era apenas e tão somente uma ave, ela era o bichinho de estimação da lunática!
A FIA examinou cuidadosamente a pluma branca, e com toda a certeza de uma conhecedora experiente declarou solenemente:
- Pela sua sensível leveza, delicada consistência, e, a sua angelical brancura posso assegurar que esta pluma não pertence a nenhuma ave existente na face da terra!
- Todas as aves sonham em ter plumas iguais a estas, mas ela privilégio dos anjos!
Estava decifrado o misterioso segredo do Baú Vermelho!
antonio carlos de paula poeta e compositor www.antoniocarlosdepaula.com |